quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Vale do Catimbau - Parte 1 de 4 - Trilha dos homens sem cabeça e do Chapadão



Quero deixar registrado aqui meu relato da viagem ao Vale do Catimbau.

Espero incentivar as pessoas a conhecerem o encantador Parque Nacional do Catimbau. Fiquei deslumbrado com a riqueza arqueológica, as pinturas rupestres e paisagens estonteantes. O vale do Catimbau é um lugar simplesmente fantástico. É uma das sete maravilhas de Pernambuco e é o segundo maior parque arqueológico do Brasil. 



Fizemos as trilhas em três dias. Passamos pelas chapadas e canyons que ficarão marcadas na lembrança, no coração e no espírito para sempre. Avistamos vales que se descortinam por dezenas de quilômetros. Caminhamos em plena luz do dia com calor intenso, bem como caminhamos após o sol se por no horizonte infinito com temperatura mais amena. Vimos o brilho do sol realçar as cores do semi-árido. Ficamos admirando a paisagem do Chapadão, esperando o pôr do sol. A medida que o sol baixava, o espetáculo de cores da natureza vibrava intensamente no horizonte, fazendo nosso coração palpitar de emoção. Observamos cada detalhe instigante construído pela ação do tempo sobre as rochas. Andamos por lugares onde se faz as trilhas por horas e, apesar do cansaço físico, o espírito não se cansa de admirar tantas paisagens extasiantes.

Certamente queremos voltar com mais tempo para fazermos mais trilhas!!!

Para quem procura contato com a natureza, beleza indescritível, caminhada e povo acolhedor, o Vale do Catimbau irá, sem dúvida, superar as expectativas.



Saímos dia 17/02/2017, antes das 8h da manhã, de carro.
Partimos, eu, Luciana e Miriam, de Recife em direção a Arcoverde, Pernambuco.
Fizemos café da manhã no Rei da Coxinha, em Gravatá, a famosa parada obrigatória, às 9h20.
A BR 232 é duplicada até São Caetano. Dali em diante, mão dupla. Chegando em Arcoverde, fizemos uma rápida parada no excelente posto BR do Grupo Hotel Cruzeiro.
De lá, seguimos por aproximadamente 25km pela PE-270, rodovia asfaltada, até Buíque.
Em Buíque, num posto de gasolina ao lado da Pousada Santos perguntamos pela Estrada do Catimbau. A referência que o frentista mostrou foi "naquela árvore bem grande".
De Buíque até a Vila do Catimbau são 11 km de estrada de terra e areia.

Chegamos tranquilamente às 13h10 na vila. Encontramos com um guia chamado Genivaldo na Associação dos Guias de Catimbau. Ele mostrou um catálogo com fotos e já combinamos de sair a tarde para ver as melhores trilhas. Ele escolheu, com maestria, a trilha dos homens sem cabeça e em seguida observar o pôr do sol na trilha do chapadão. Combinamos de sairmos às 15:30h.
O serviço de guia custa cem reais para grupo de até dez pessoas, mais taxa de dois reais por pessoa para cada trilha visitada. No início imaginei que poderíamos seguir sem guia por algumas trilhas. Mas logo me convenci que, se quiser aproveitar ao máximo a visita ao Parque, ser acompanhado por um guia nas trilhas é altamente recomendável! O nosso guia Genivaldo nos conduziu em segurança por todas as trilhas que visitamos. Ele foi bastante atencioso e fez um ótimo trabalho, explicando cada atrativo de sua região. Celular e Whatsapp do Genivaldo é (87) 999421684.

Ficamos hospedados três dias e duas noites na Pousada Vale do Catimbau. O local é bem simples, porém com ótimo atendimento e comida boa. Dona Zefinha é a dona da Pousada e a mantém bem limpa e organizada. Pelo atendimento primoroso e considerando inclusive a questão logística, concluímos que foi bem melhor termos optado pela Pousada Vale do Catimbau do que ficar em Buíque. Chegamos à Pousada Vila do Catimbau às 13:30h e logo fomos convidados por dona Zefinha para almoçarmos. 

Após o delicioso almoço, tiramos ainda um cochilo.
Às 15:30h conforme combinado, o guia Genivaldo veio nos buscar na pousada.
Para a caminhada, recomenda-se ir de calça jeans para se proteger dos espinhos. É imprescindível levar água para a caminhada.
Pegamos o carro e seguimos estrada acima. Da Vila até a base da trilha, são 12 quilômetros de estrada de terra, com muita, mas muita areia. Deve-se tomar cuidado para o carro não atolar na areia. Engate a segunda marcha para passar pelas areias.











A partir da base da trilha, só é possível seguir a pé.
Fizemos caminhada de quatro a cinco quilômetros, em pouco mais de duas horas.





Visitamos, então, a Trilha dos Homens sem cabeça com pinturas rupestres e Trilha do Chapadão no primeiro dia.




O guia mostrou pegadas na areia onde passam vários animais. Perguntei quais animais costumam aparecer. De acordo com o guia, gato do mato, cotia, veado, tatu, e à noite, morcego.



Vi um traçado na areia.
Não é rastro de cobra, aliás, raramente aparece uma cobra.
O guia explicou que era rastro de um teju. O rastro da cauda não deixa dúvida.











Durante a caminhada, nos deparamos com diversas espécies de plantas da região. Genivaldo mostrou caxacubri, facheiro e mandacaru. Não sei se são espécies distintas ou se referem a mesma espécie. Esqueci de perguntar.
















O guia nos mostrou também ouricuri, palmeira nativa do bioma Caatinga.




Provamos a drupa do ouricuri, acho que é a semente, espécie de "coquinhos", que nosso guia gentilmente abriu e nos ofereceu ao final da trilha. É bem gostoso.



Observamos diversas outras espécies da flora local, que não recordo mais os nomes que ele citou,













Durante a caminhada pela trilha dos homens sem cabeça, observei que passamos por diversas descidas.















Aproximadamente na metade da caminhada, avistamos as pinturas rupestres.




O nosso guia explicou que aquela arte da pintura, por lembrar cena de luta, isto é, por remeter uma ideia de movimento, foi feita por homens da Tradição Nordeste, que viveram ou passaram pelo local a 4500 a 6000 anos atrás!








A "tinta" de cor avermelhada utilizada na pintura é obtida a partir do óxido de ferro, extraído de rochas que ficam a alguns quilômetros de distância daquele local.












A formação rochosa sedimentar, com seu arenito, forma grandes pedras com figuras interessantes. São muito bonitas e deixam o solo bem arenoso.





Após observarmos as incríveis pinturas, seguimos para a trilha do Chapadão. Passamos então, por trechos com boas subidas.








Continuamos a escalar as pedras e caminhar pelas trilhas cobertas de areia.



Na foto acima tem mais de uma cabra. Durante toda a trilha que fizemos, havia cabra em algum ponto nos observando.




Após duas horas de caminhada, chegamos a indescritível vista do Chapadão, que se descortina abruptamente. Vimos o deslumbrante pôr do sol no Chapadão, que, de tão belo, emociona no fundo da alma.



















































"Não se aproxime muito da beirada! Tem um precipício enorme! Cuidado que tem pedra rachada!" Advertências que ouvimos do guia bastante cuidadoso e atento!































Já quase escurecendo, contando com a tênue claridade da lua, retornamos ao carro e dirigimos até à pousada, onde chegamos às 18:40h.



Assim encerramos o maravilhoso dia, primeiro dos três dias que permanecemos em Catimbau.
Mal sabíamos das emoções que ainda estavam por vir, nos próximos dois dias...

Clique no link abaixo para ir a segunda parte:

Segunda parte

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