quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Vale do Catimbau - Parte 4 de 4 - Trilha do Canyon

Olá, amigo(a)
Esta é a parte final do meu relato. Para seguir para o início da aventura no Vale do Catimbau, clique no link abaixo.


Neste terceiro dia da viagem, conhecemos a imperdível trilha dos canyons.

Saímos também no mesmo horário do dia anterior: às 7:40 da manhã.
De carro, saímos da Pousada Vale do Catimbau e seguimos até a base da trilha. 
Na chegada à base, um outro grupo que também seguiu com outro guia para fazer a mesma trilha, atolou o carro deles na areia, mas conseguiram resolver rapidamente o contratempo.
Tal qual outras trilhas que fizemos anteriormente, a partir da base da trilha, só é possível seguir a pé.





Seguindo pela trilha, logo no início passamos por uma rocha em formato bem curioso, que lembra um crocodilo.



Um cupinzeiro no topo do monte.

Primeira e única cobra que vimos em Catimbau, porém já morta.







Emoção de escalar e avistar do alto a beleza do local, não tem preço!





Como a vida da natureza é exuberante!










Depois de aproximadamente duas horas de caminhada, entre montanhas, encontram-se encostas abruptas e vales imensos abertos até onde a vista alcança.





Contemplar a imensa paisagem é algo realmente magnífico!











A trilha dos canyons proporciona três vistas belíssimas do Vale do Catimbau.

Nosso guia nos conduziu pela primeira, segunda e terceira vistas do canyon.

A cada vista do canyon, um espetáculo grandioso da natureza se descortinava diante dos nossos olhos!





Nosso guia Genivaldo comentou que quando chove, a água forma cascatas pelas encostas do canyon.
Imagino como ser bonito!
Disse  que não chove há mais de cinco ou seis meses por lá.
Perguntei se quando chove a trilha fica mais escorregadia. Ele disse que, ao contrário,  a chuva leva as finas areias.













A caminhada mais se assemelha a uma montanha russa, com descidas repentinas e subidas. Quando você pensa que a trilha terminou, o guia diz que esta é a primeira das três vistas e ainda tem mais duas! E ainda pergunta: Querem conhecer as outras duas vistas? É claro que sim! Queremos!









Fizemos uma breve pausa para um leve lanche. É indescritível o momento que vai ficar guardado com muito carinho na memória!




Nestes três dias, conhecemos uma parte do Catimbau.

Ficou ainda faltando conhecer e fazer as seguintes trilhas, de acordo com explicação do nosso guia Genivaldo, se não me falha a memória:
  • Alcobaça, que fica no povoado de Carneiro, distante 33km da Vila do Catimbau. Lá se localiza um imenso painel de pinturas rupestres que datam de 6000 anos, 
  • Santuário, 
  • Porto Seguro, 
  • O guia comentou sobre duas cavernas de morcego. Disse que uma delas é fechada para visitação de turistas pois necessita de máscara para adentrar, 
  • Cachoeira, 
  • Imburanas,
  • Breus
Diante da vastidão do parque, com seus 63000 hectares (630km2) nossa visita de três dias pode ter sido curta. Mas o que vimos mais do que valeu a visita. Voltamos extasiados. O parque ainda é pouco explorado. Fica fora do eixo tradicional de turismo. É um destino relativamente incomum, o que para mim pareceu ainda mais fascinante, por termos este imenso privilégio de conhecê-lo.

Vale do Catimbau tem algo misterioso, vibrante, mágico e encantador.  Exerce um fascínio tão grande que só mesmo conhecendo de perto, você saberá do que estou falando. Para mim, foi um local que trouxe um significado pessoal muito grandioso. Visitar o P. N. do Catimbau é permitir receber uma energia que fará bem para o corpo, mente e espírito.

Muito obrigado!

Vale do Catimbau - Parte 1 de 4 - Trilha dos homens sem cabeça e do Chapadão



Quero deixar registrado aqui meu relato da viagem ao Vale do Catimbau.

Espero incentivar as pessoas a conhecerem o encantador Parque Nacional do Catimbau. Fiquei deslumbrado com a riqueza arqueológica, as pinturas rupestres e paisagens estonteantes. O vale do Catimbau é um lugar simplesmente fantástico. É uma das sete maravilhas de Pernambuco e é o segundo maior parque arqueológico do Brasil. 



Fizemos as trilhas em três dias. Passamos pelas chapadas e canyons que ficarão marcadas na lembrança, no coração e no espírito para sempre. Avistamos vales que se descortinam por dezenas de quilômetros. Caminhamos em plena luz do dia com calor intenso, bem como caminhamos após o sol se por no horizonte infinito com temperatura mais amena. Vimos o brilho do sol realçar as cores do semi-árido. Ficamos admirando a paisagem do Chapadão, esperando o pôr do sol. A medida que o sol baixava, o espetáculo de cores da natureza vibrava intensamente no horizonte, fazendo nosso coração palpitar de emoção. Observamos cada detalhe instigante construído pela ação do tempo sobre as rochas. Andamos por lugares onde se faz as trilhas por horas e, apesar do cansaço físico, o espírito não se cansa de admirar tantas paisagens extasiantes.

Certamente queremos voltar com mais tempo para fazermos mais trilhas!!!

Para quem procura contato com a natureza, beleza indescritível, caminhada e povo acolhedor, o Vale do Catimbau irá, sem dúvida, superar as expectativas.



Saímos dia 17/02/2017, antes das 8h da manhã, de carro.
Partimos, eu, Luciana e Miriam, de Recife em direção a Arcoverde, Pernambuco.
Fizemos café da manhã no Rei da Coxinha, em Gravatá, a famosa parada obrigatória, às 9h20.
A BR 232 é duplicada até São Caetano. Dali em diante, mão dupla. Chegando em Arcoverde, fizemos uma rápida parada no excelente posto BR do Grupo Hotel Cruzeiro.
De lá, seguimos por aproximadamente 25km pela PE-270, rodovia asfaltada, até Buíque.
Em Buíque, num posto de gasolina ao lado da Pousada Santos perguntamos pela Estrada do Catimbau. A referência que o frentista mostrou foi "naquela árvore bem grande".
De Buíque até a Vila do Catimbau são 11 km de estrada de terra e areia.

Chegamos tranquilamente às 13h10 na vila. Encontramos com um guia chamado Genivaldo na Associação dos Guias de Catimbau. Ele mostrou um catálogo com fotos e já combinamos de sair a tarde para ver as melhores trilhas. Ele escolheu, com maestria, a trilha dos homens sem cabeça e em seguida observar o pôr do sol na trilha do chapadão. Combinamos de sairmos às 15:30h.
O serviço de guia custa cem reais para grupo de até dez pessoas, mais taxa de dois reais por pessoa para cada trilha visitada. No início imaginei que poderíamos seguir sem guia por algumas trilhas. Mas logo me convenci que, se quiser aproveitar ao máximo a visita ao Parque, ser acompanhado por um guia nas trilhas é altamente recomendável! O nosso guia Genivaldo nos conduziu em segurança por todas as trilhas que visitamos. Ele foi bastante atencioso e fez um ótimo trabalho, explicando cada atrativo de sua região. Celular e Whatsapp do Genivaldo é (87) 999421684.

Ficamos hospedados três dias e duas noites na Pousada Vale do Catimbau. O local é bem simples, porém com ótimo atendimento e comida boa. Dona Zefinha é a dona da Pousada e a mantém bem limpa e organizada. Pelo atendimento primoroso e considerando inclusive a questão logística, concluímos que foi bem melhor termos optado pela Pousada Vale do Catimbau do que ficar em Buíque. Chegamos à Pousada Vila do Catimbau às 13:30h e logo fomos convidados por dona Zefinha para almoçarmos. 

Após o delicioso almoço, tiramos ainda um cochilo.
Às 15:30h conforme combinado, o guia Genivaldo veio nos buscar na pousada.
Para a caminhada, recomenda-se ir de calça jeans para se proteger dos espinhos. É imprescindível levar água para a caminhada.
Pegamos o carro e seguimos estrada acima. Da Vila até a base da trilha, são 12 quilômetros de estrada de terra, com muita, mas muita areia. Deve-se tomar cuidado para o carro não atolar na areia. Engate a segunda marcha para passar pelas areias.











A partir da base da trilha, só é possível seguir a pé.
Fizemos caminhada de quatro a cinco quilômetros, em pouco mais de duas horas.





Visitamos, então, a Trilha dos Homens sem cabeça com pinturas rupestres e Trilha do Chapadão no primeiro dia.




O guia mostrou pegadas na areia onde passam vários animais. Perguntei quais animais costumam aparecer. De acordo com o guia, gato do mato, cotia, veado, tatu, e à noite, morcego.



Vi um traçado na areia.
Não é rastro de cobra, aliás, raramente aparece uma cobra.
O guia explicou que era rastro de um teju. O rastro da cauda não deixa dúvida.











Durante a caminhada, nos deparamos com diversas espécies de plantas da região. Genivaldo mostrou caxacubri, facheiro e mandacaru. Não sei se são espécies distintas ou se referem a mesma espécie. Esqueci de perguntar.
















O guia nos mostrou também ouricuri, palmeira nativa do bioma Caatinga.




Provamos a drupa do ouricuri, acho que é a semente, espécie de "coquinhos", que nosso guia gentilmente abriu e nos ofereceu ao final da trilha. É bem gostoso.



Observamos diversas outras espécies da flora local, que não recordo mais os nomes que ele citou,













Durante a caminhada pela trilha dos homens sem cabeça, observei que passamos por diversas descidas.















Aproximadamente na metade da caminhada, avistamos as pinturas rupestres.




O nosso guia explicou que aquela arte da pintura, por lembrar cena de luta, isto é, por remeter uma ideia de movimento, foi feita por homens da Tradição Nordeste, que viveram ou passaram pelo local a 4500 a 6000 anos atrás!








A "tinta" de cor avermelhada utilizada na pintura é obtida a partir do óxido de ferro, extraído de rochas que ficam a alguns quilômetros de distância daquele local.












A formação rochosa sedimentar, com seu arenito, forma grandes pedras com figuras interessantes. São muito bonitas e deixam o solo bem arenoso.





Após observarmos as incríveis pinturas, seguimos para a trilha do Chapadão. Passamos então, por trechos com boas subidas.








Continuamos a escalar as pedras e caminhar pelas trilhas cobertas de areia.



Na foto acima tem mais de uma cabra. Durante toda a trilha que fizemos, havia cabra em algum ponto nos observando.




Após duas horas de caminhada, chegamos a indescritível vista do Chapadão, que se descortina abruptamente. Vimos o deslumbrante pôr do sol no Chapadão, que, de tão belo, emociona no fundo da alma.



















































"Não se aproxime muito da beirada! Tem um precipício enorme! Cuidado que tem pedra rachada!" Advertências que ouvimos do guia bastante cuidadoso e atento!































Já quase escurecendo, contando com a tênue claridade da lua, retornamos ao carro e dirigimos até à pousada, onde chegamos às 18:40h.



Assim encerramos o maravilhoso dia, primeiro dos três dias que permanecemos em Catimbau.
Mal sabíamos das emoções que ainda estavam por vir, nos próximos dois dias...

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Segunda parte