Olá, amigo(a)
Esta é a segunda parte do meu relato.
Se você ainda não leu o início da aventura no Vale do Catimbau, clique no link abaixo.
Combinamos com o guia de começarmos logo cedo nossas visitas no segundo dia.
Às sete da manhã, estávamos tomando o café da manhã. Dona Zefinha deixou preparada a nossa mesa com bastante comida, composta com nada menos que sucos, café, pão, queijo, ovos fritos, macaxeira, melancia, melão e bananas.
Nosso guia, pontualmente, no horário combinado, 7:40h veio nos buscar.
De carro, seguimos em direção a pedra do Cachorro e chegando próximo a esta, dobramos a direita e seguimos por mais uns três quilômetros.
Deixamos o carro na base da trilha e fizemos as trilhas da Casa de Farinha e Torres.
Só é possível seguir as trilhas a pé. A trilha dessa manhã durou em torno de três horas e meia e caminhamos aproximadamente sete quilômetros. Precisa levar cantil com água.

Logo no início da caminhada, nos deparamos com uma grande e frondosa árvore. "É pau ferro", disse o guia, "bode gosta da sombra desta árvore". Achamos surpreendente, considerando a aridez do local.
O nosso guia Genivaldo comentou sobre bacia sedimentar do Jatobá e lençol freático.
Ainda no primeiro quilômetro da caminhada, vimos o pinhão bravo, árvore de pequeno porte, comum na caatinga. Nosso guia comentou que o teju, quando atacado por cobra, come esta planta, que tem efeito estimulante e cicatrizante
Depois de uns dois quilômetros, vimos uma árvore interessante, a barriguda, com seu formato engraçado.
Mais a frente, Genivaldo apresentou o pé de juazeiro. Sua raspa pode ser usada como pasta de dente.
Outra planta que vimos, aos montes, durante a caminhada, foi macambira. É usada como cerca viva, pois seus espinhos impedem a passagem de cabras.
Não precisa ser atleta, mas é bom ter preparo físico para aguentar as escaladas.

É tão bem desenhado pela natureza, que dá impressão que as pedras foram talhadas e encaixadas uma na outra.
Depois de uns três quilômetros da base da trilha, passamos por uma área com solo amarelado, com vários cupinzeiros e muitas plantas secas.

Genivaldo disse que o cupinzeiro pode ser utilizado como forno.

Próximo aos cupinzeiros, avistamos a imburana, planta da região, muito tortuosa. É uma árvore bastante esgalhada. É preferida por artesãos da região devido a facilidade de corte. Genivaldo comentou sobre o famoso artista da região, Zé Bezerra. Ficamos de visitá-lo à tarde.
Mais alguns quilômetros, havia laços vermelhos amarrados em algumas plantas, que segundo o guia, é sinalização ou demarcação utilizada pelos pesquisadores. Há uma casa de apoio para os pesquisadores, que fica próximo a Pedra do Cachorro.
Recomendo ir de calça jeans, apesar do calor.
Perto da metade da caminhada pela trilha da casa de farinha, inadvertidamente bati minha perna num pé de urtiga. O guia gritou na hora: "cuidado, isso é urtiga, se encostar, vai arder e coçar bastante". Mas o aviso veio depois do ocorrido. Por sorte, eu estava de jeans. Apenas um dos inúmeros espinhos conseguiu atravessar o tecido e atingir minha canela! Retirei imediatamente, ardeu na hora, mas, graças a Deus, não deu inchaço ou coceira.
Durante a caminhada, antes de chegarmos a Casa de Farinha, Genivaldo nos mostrou o icó, planta que, apesar da falta de chuva, permanece sempre verde. A árvore dá um fruto, que segundo o guia, é bem gostoso quando maduro, isto é, quando cai espontaneamente do pé. O carcará, ave de rapina, se alimenta do mel da flor dessa planta.
Já chegando próximo a Casa de Farinha, Genivaldo mostrou áreas que há quarenta anos foi roça. Isto é, bem antes da transformação do local em Parque Nacional, que foi oficializado em 2002.
Passamos por uma pontezinha improvisada para travessia da cerca de arame farpado. O local próximo a casa de farinha, onde se localizam as pinturas rupestres, é protegido com cerca de arame farpado para impedir entrada de cabras.
As pinturas rupestres foram efetuadas por distintos grupos étnicos de épocas também distintas.

O guia Genivaldo nos explicou que neste caso, as pinturas na Casa da Farinha, foram feitas pela etnia da Tradição Agreste, caracterizadas por figuras geométricas.
Os artefatos da ocupação pré-histórica são datados de pelo menos 6000 anos.
Foram encontrados no local machadinhas de pedra, lança.
Os pesquisadores encontraram 27 sítios arqueológicos no Vale do Catimbau. Com isso, o Parque Nacional do Catimbau é considerado o segundo maior parque arqueológico do Brasil, perdendo apenas para a Serra da Capivara, no Piauí.
Fiquei imaginando como teria sido a vida na região para os homens pré históricos.
O Genivaldo disse que há registros de que haviam várias nascentes na época.
Entendi a razão de existirem tantos vestígios arqueológicos na região: havia água potável.
Infelizmente, devido ao desconhecimento da riqueza arqueológica do local, o funcionamento da casa de farinha ocasionou queimada de parte das pinturas rupestres que datam há milhares de anos.
Fiquei impressionado com o tamanho da formiga que encontrei morta na areia, voltando da trilha.
Por volta das 10 horas manhã, iniciamos a trilha das torres.
Alguns trechos da trilha das torres pode ser um pouco assustador se você tiver medo de altura.
Colorido pela natureza com arenito, argila, óxido de ferro!
O Parque Nacional do Catimbau apresenta cerca de duas mil cavernas e 28 cavernas-cemitério.
Nosso excelente guia Genivaldo orgulhosamente apresentava e explicava os atrativos, curiosidades e belezas naturais da região.
As formações geológicas são compostas de arenitos de diversas cores e tipos que datam de mais de cem milhões de anos!
Só mesmo visitando pessoalmente o local, se percebe a riqueza de detalhes. É incrível e impressionante!
Veja só o tamanho do grilo.
Dizem que 80% dos acidentes em montanhas ocorrem no momento da descida. Recomenda-se tênis com solado de borracha para maior aderência.
Ao final da trilha, paramos rapidamente para visitar um cemitério indígena na Pedra do Cachorro.
Nosso guia comentou sobre esqueletos humanos encontrados com cortes no crânio, com hipótese de morte violenta ou canibalismo.
No banner elaborado pelos pesquisadores encontrei mais alguns detalhes sobre o assunto.








































































































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